Diário de uma Actriz Desempregada

Um blog que descreve o dia-a-dia de uma actriz que não arranja trabalho na sua área.

6.11.2006

Jantar de Turma

Pois é, ontem foi o jantar da minha turma da ESMAE. Eu organizei, pois estava cheia de saudades dos meus coleguinhas de teatro! Só fomos 7 (ao contrário do que se pensa, os actores ainda trabalham bastante...), mas mesmo assim foi muito divertido pois alguns deles eu já não via desde o final do curso, há 3 anos atrás!
Este encontro pôs-me nostálgica, pois recordámos momentos espectaculares da nossa convivência. As peças, os trabalhos, as personagens... tenho tantas saudades disso tudo que nem imaginam. Quando estava a fazer o curso, se tivesse a mínima noção de que não ia pisar mais um palco depois de o acabar, tinha aproveitado muito melhor, acreditem. Sinto que passei no curso a 100k/h! Sempre a andar, sempre a fazer as cadeiras para ter positiva, e raramente a devorar realmente aquilo! E agora arrependo-me tanto disso, pois sei que se me tivesse esforçado um pouco mais, hoje poderia estar numa situação diferente. Teria impressionado pela positiva mais professores e encenadores, e teria com certeza propostas de trabalho. Não o fiz, e agora é tarde demais para chorar sobre o leite derramado, mas este jantar deu-me realmente vontade de voltar atrás no tempo. Estávamos sempre atulhados de trabalho, ficávamos na escola muitas vezes das 9h da manhã à 1h da manhã seguinte, esgotados. Mas fazíamos teatro. Eu fazia teatro. Quase que já nem sei o que é isso. A minha vida tem sido procurar castings, e é tudo publicidade, televisão. E teatro? A minha paixão? Está quase esquecida pois perdi a esperança de entrar nesse mundo. Perdi o comboio e agora não encontro a estação para o apanhar.
Eu sei que parece quase contraditório eu ter-me divertido tanto no jantar de ontem e hoje estar com um espírito tão pessimista e derrotista. Mas é daquelas sensações ambíguas. Porque é que eu, vendo os meus colegas todos (ou quase), a trabalhar, ou entre trabalhos, perco a esperança? Irónico, não é? Penso que é precisamente por os ter visto a apanhar o tal comboio à minha frente e eu ter ficado para trás. Em vez de esperar pelo seguinte refugiei-me na Póvoa, em casa dos meus pais, a terminar a monografia que ficou para trás. Passou-se um ano até eu a apresentar e defender, e logo a seguir tive daquelas oportunidades que não surgem muitas vezes. Fiquei logo colocada a dar aulas. Um ordenado atraente, ali certinho ao fim do mês, nada de recibos verdes... É claro que fiquei na escola, não podia recusar. Até porque era só meio horário. Podia conciliar com teatro. Mas o comboio era difícil de apanhar, estando eu entre Barcelos e a Póvoa, e acomodei-me. Este ano não fiquei colocada e achei que era bom para apanhar o comboio, mas era tarde demais. Nem os meus colegas, que o apanharam, são capazes de me explicar onde se apanha. Estou por mim, e não prevejo o futuro com que sonhei.

1 Comments:

  • At 17:09, Blogger cloinca said…

    A vida está tão complicada... para todos! Demasiado para meu gosto!
    ...
    Fico triste por te ver assim.... a única coisa que te posso dizer é para continuares a perseguir os teus sonhos... não desistas... pelo menos não para já! Ainda é cedo para baixar os braços... por isso, bute levar os teus sonhos a bom porto!
    E já sabes que podes contar comigo para isso!
    Um beijinho grande,
    Cláudia

     

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